mar

calmo

(nunca 

fez  bom 

marinheiro)

      Esse ditado popular, conhecido por muitos de nós, é algo que me foi dito uma vez por alguém que muito amo, e que muito já sofreu. Mas essa frase me causa incômodo, sinto que parece ser repetida automaticamente como tantos outros bordões, romântica e ingenuamente a fim de justificar e naturalizar o sofrimento que que nenhum de nós deveria gostar de viver. 

     Ao mesmo tempo, me instiga. Me faz ver beleza na dor superada, nas feridas estancadas, nas histórias que nos fazem ser quem somos, nas cicatrizes que carregamos. Se calca na consciência de que, sem ter sido quem já fomos, jamais seríamos quem somos hoje. Sinto que cada detalhe de cada pequeno momento de nossas peculiares, pessoais e únicas histórias, são cruciais para a determinação do que somos, como agimos, como pensamos, são as nossas experiências que ditam nossos medos, traumas, afetos, alegrias. Somos a junção de todos esses fatores, sejam eles prazerosos ou traumáticos.

     Também me faz pensar na impotência humana de evitar a nossa própria dor, e a dor de quem se ama. Penso no carinho que tenho pelas minhas lembranças, e pelas lembranças de quem amo, como se as ouvindo eu pudesse me transportar para cenas que jamais presenciei, e compreender o sentimento que não é meu. E me transportando pra esse lugar eu consigo capturar fotos desses momentos, dessas lembranças, como capturo das minhas. Na verdade sou capaz de capturar a minha própria memória da memória do outro.

     É sobre isso que meu álbum mar calmo (nunca fez bom marinheiro) fala. Ele é um álbum das minhas fotografias pessoais, íntimas e nuas, somadas às fotografias de pessoas que eu amo, e me presentearam com elas. 

eu acho que a gente é feito de histórias, né?

de memórias que de alguma forma, se fixam na nossa mente, no nosso corpo, e em lugares que a gente nem consegue explicar.

e essas coisas moldam a mim, e moldam você…

e as histórias, são feitas de momentos, momentos que enquanto estão sendo vividos, a gente nem percebe que eles são grandiosos. nossa história é uma junção de acasos que acaba traçando uma linha do tempo. e a gente só percebe a grandiosidade desses pequenos momentos quando por algum motivo, nos damos conta que viemos parar em um lugar inesperado, percebemos que se algum detalhe tivesse sido diferente, estaríamos agora em um outro lugar. 

talvez se eu tivesse acordado mais tarde no primeiro dia de aula, se eu não tivesse ido para aquela festa, se eu não tivesse pego meu celular naquele exato momento onde desbloqueando a tela eu me deparei com você na primeira postagem, tudo teria sido diferente. 

 

se eu não tivesse conhecido você… 

talvez eu nem estaria escrevendo esse álbum… 

talvez eu não seria eu. 

aliás,  com certeza eu não seria eu,

eu seria outra pessoa.

 

eu sou a junção de todas as pessoas que eu já amei. somada as poucas pessoas que eu odiei, e as que admirei, e as que invejei, e até as pessoas que passaram despercebidas por mim na rua. eu sou ao mesmo tempo, a cópia dos meus pais e a distância que eu quero tomar disso. 

 

eu sou uma repetição de mim mesma, 

eu sou o passado do meu futuro, 

e o futuro do meu passado. 

eu sou o presente


 

mas eu não sei o que isso significa. 


 

e eu acho que tudo se move assim: 

em ciclo.

o amor, a felicidade, a dor, o sofrimento, a cura...

 

mar calmo nunca fez bom marinheiro….

talvez faça parte da cura justificar a dor.

 

eu não sei se a gente precisa sofrer pra aprender, tem gente que acha. as pessoas dizem que são gratas por terem sofrido pois hoje são o que são. e eu entendo, já me senti grata por isso também.

mas se nós somos o que somos pelo que já vivemos independente do que tenha sido, será que realmente precisamos sofrer? ou será que isso é apenas algo que repetimos a nós mesmos, depois que algo ruim aconteceu,  para nos convencer de que nossa dor serviu de alguma coisa?

talvez a melhor coisa seria nos convencer que a gente precisava disso,

 sendo que na verdade a gente só…

superou…

 

mar calmo nunca fez bom marinheiro pode ser uma coisa que a gente fala depois de ter passado por uma tempestade imensa, 

 

mas na verdade tudo que a gente queria, 

era não ter passado por ela.

 

os meios justificam os fins, se a gente quiser. não sei até que ponto precisamos sofrer pra crescer, sofrer pra aprender, sofrer pra depois dizer: não, que bom que isso aconteceu comigo, porque agora eu sou melhor.

 

mas eu sou isso:

 todos os mares bravos que eu preferia não ter enfrentado, 

e todas as paisagens calmas, 

todo o meu caminho até aqui.

 

às vezes eu penso que é estranho imaginar que você não estava lá,

 e é por isso que eu quero te contar, 

- Marinheiro

 

vênus em- fogo-

Música: Natália Carreira

Arranjo | Produção musical: GAVI

Mix  | Master: Natália Carreira e Henrique Matos

2020

ficha técnica

sobre

letra

links

A faixa "vênus em fogo" é o primeiro single a ser divulgado do "mar calmo (nunca fez bom marinheiro)", primeiro álbum de natália carreira, cantora e compositora brasiliense que vem conquistando espaço na cena de música independente. 

 

"vênus em fogo" foi lançada no dia 8 de maio em todas as plataformas de streaming,  acompanhado de um videoclipe no Youtube, produzido por Sarah Outeiro. A música trata sobre desejo, paixão, entrega e jogos de conquista. Sua letra casada com a levada indie pop eletrônica, trazem sensualidade para a sua primeira faixa de trabalho.

A música, produzida por GAVI, já indica a nova aposta da cantautora: O álbum terá uma textura mais eletrônica com mais elementos sintéticos e experimentais e letras mais sóbrias do que as de seu primeiro lançamento, EP Pertencer.

Você me liga
Depois da tua bebedeira
Mas já são mais de 5 horas da manhã
Eu tenho coisa pra fazer amanhã de manhã

Você implica
Me diz que eu não sei lidar
Com a tua forma de pensar
"A gente é muito diferente, não sei se isso vai funcionar"

Você me pede distância
Mas quer que eu insista
Você se recusa a ser invisível
E eu acho engraçado teu jeito embaçado de se declarar

Você quer que eu fique
Mas faz com que eu fuja
Você não diz nada
Mas quer que eu entenda
No tom da piada
Que você tem medo de se entregar

Vem cá
Pr'aqui de perto eu poder tirar
A tua marra com um olhar
A tua roupa e pra falar de nós
Sem pressa

Vem cá


Pr'aqui de perto eu poder tirar
A tua roupa
E falar

 

Garota

Eu te conheço bem
É só a tua vênus em fogo querendo me testar
Me diz quando eu passar amor
Pra eu poder te dar
Amor

Você me joga na cama
Decide o programa de domingo à tarde
E eu sou só uma garota perto de você
O que é que eu posso fazer?

Vem cá
Pr'aqui de perto eu poder tirar
A tua marra com um olhar
A tua roupa e pra falar de nós
Sem pressa

Vem cá
Pr'aqui de perto eu poder tirar
A tua roupa
E falar


Garota

Tua boca não me diz nada
Teus olhos, pouco
Tua mão me cala
Os desaforos
E pelos dedos eu me escorro
Onde é que eu vou parar?

Me segura pra eu não cair
Me aperta pra eu não me soltar
Me molha pra tua vênus não me queimar

Me segura pra eu não cair
Me aperta pra eu não me soltar
Me molha pra tua vênus não me queimar

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